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Sextorsão: o que fazer agora e como denunciar a chantagem

Sextorsão: o que fazer quando alguém ameaça vazar seus nudes ou manda um e-mail de chantagem, como denunciar e onde achar ajuda gratuita no Brasil.

Por Publicado em 18 min de leituraLer em inglês
Imagem de capa: sextorsão, o que fazer agora e como denunciar a chantagem

Se alguém ameaça divulgar seus nudes ou uma videochamada gravada caso você não pague, isso é sextorsão, e a primeira regra é simples: não pague e não mande mais nada. Guarde as provas, pare de responder (mas não apague a conversa), denuncie o perfil na plataforma e registre um boletim de ocorrência (B.O.) na Polícia Civil. A culpa não é sua, e existe ajuda gratuita, inclusive para tirar as imagens do ar.

Quem chantageia aposta na vergonha e no pânico para que você aja rápido e sozinho. Por isso, ajuda respirar fundo e seguir passo a passo. Muitas ameaças chegam, aliás, como e-mails em massa, sem vídeo nenhum por trás. Reunimos o que orientam a Polícia Civil de São Paulo, o CERT.br, a SaferNet Brasil e os serviços de remoção de imagens, tanto para adultos quanto para adolescentes.

Sextorsão: o que fazer nos primeiros minutos

Não ceda à exigência, por mais curto que pareça o prazo. Se o golpista insiste, pede mais dinheiro ou faz ameaças, o CERT.br orienta a cortar o contato na hora, não enviar mais dinheiro nem informações e não tentar negociar. Em vez disso, guarde as evidências, bloqueie o perfil, denuncie na rede social e registre o B.O.

  1. Não pague: não faça Pix, transferência nem pagamento em criptomoeda, nem mesmo uma parte do valor.
  2. Não mande mais nada: nada de novas fotos ou vídeos, mesmo que o golpista ofereça isso como saída.
  3. Guarde as provas: salve o perfil, o nome de usuário, o link do perfil, as mensagens e cada exigência antes de bloquear.
  4. Corte o contato, mantenha a conversa: pare de responder e bloqueie a pessoa, mas não apague o chat nem a sua conta.
  5. Denuncie: denuncie o perfil na plataforma e registre o B.O. na Polícia Civil do seu estado.
  6. Peça ajuda: conte para alguém de confiança. Se você tem menos de 18 anos, fale com seus pais ou com outro adulto em quem confia.

A culpa não é sua. Mesmo que você tenha confiado em alguém e mandado imagens, quem comete o crime é quem ameaça. A SaferNet resume assim: não se culpe, o responsável é quem compartilhou. A sextorsão também começa muitas vezes com um perfil que não pertence à pessoa com quem você acha que está falando. O guia como identificar perfil falso mostra como reconhecer essas contas mais cedo da próxima vez.

O que é sextorsão e como o golpe costuma acontecer

A Polícia Civil de São Paulo define a sextorsão como a ameaça de divulgar imagens ou vídeos íntimos para forçar alguém a fazer algo, por vingança, humilhação ou para obter dinheiro. Com o conteúdo em mãos, o criminoso exige mais fotos ou vídeos, um encontro sexual ou uma quantia em dinheiro. Para a polícia, é uma forma grave de violência, que pode levar a consequências extremas.

O caminho até as imagens varia. Segundo a mesma orientação, a vítima pode ter compartilhado uma foto num impulso ou ter tido um relacionamento com o agressor. Há adolescentes que acham que conversam com alguém da mesma idade e, na verdade, falam com um criminoso. O material também pode vir da invasão de contas e aparelhos ou de falsas ofertas de emprego em agências de modelos, que pedem fotos íntimas.

Na prática, existem duas versões bem diferentes:

  • Imagens ou gravações reais: um novo match ou seguidor flerta, leva a conversa para outro app e insiste em nudes ou numa videochamada. Como alerta a SaferNet, do outro lado alguém pode fazer um print ou gravar a tela em segundos.
  • E-mails de chantagem em massa: uma mensagem diz que seu computador ou sua webcam foram invadidos e que você foi filmado. Esses e-mails vão para muita gente ao mesmo tempo e, em geral, não existe vídeo nenhum. A seção sobre o e-mail de sextorsão, mais abaixo, mostra como reconhecer o blefe.

Há ainda os nudes falsos. O CERT.br alerta que golpistas já usam IA para imitar rostos e vozes. Com uma montagem, uma foto comum das redes sociais vira uma falsa cena de nudez, e o Código Penal trata isso como crime. Ou seja, o golpista nem precisa de uma imagem íntima real de você. O guia como identificar deepfake explica o que são deepfakes e como reconhecer os sinais de manipulação. Na nossa avaliação, os passos continuam os mesmos: não pagar, guardar, denunciar e pedir ajuda.

Como guardar as provas sem se colocar em risco

Provas ajudam a plataforma e a polícia a agir contra o perfil. A Polícia Civil de São Paulo orienta a não apagar as conversas com o criminoso e, se o contato aconteceu numa rede social, a salvar o nome do perfil e o link completo. É o endereço que aparece na barra do navegador quando você abre o perfil. Faça isso antes de bloquear, porque a conta pode sumir depois.

Uma lista prática do que guardar:

  • Prints do perfil, com o nome de usuário e o link da conta
  • A conversa inteira, inclusive em outros apps para onde vocês mudaram
  • Cada ameaça e cada exigência, com data e hora
  • Números de telefone usados pelo golpista, com data e horário das conversas
  • Dados de pagamento que ele mandou, como chave Pix, conta bancária ou carteira de criptomoeda

O CERT.br sugere anotar também o que você já fez para resolver: denúncias, números de protocolo, nomes de atendentes, datas e horários. Escreva ainda uma linha do tempo curta, com o lugar onde vocês se conheceram, o momento em que vieram as ameaças e o que foi exigido. Isso agiliza o B.O. e evita que você precise reabrir o chat toda hora. O que torna um print mais convincente está no nosso guia sobre foto como prova.

Há uma exceção importante. Se as imagens mostram alguém com menos de 18 anos, não baixe, não guarde e não encaminhe as fotos ou os vídeos, nem para um amigo que quer ajudar, nem como prova. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) pune quem adquire, possui, armazena ou solicita esse material (art. 241-B). A exceção para guardar e comunicar às autoridades vale para agentes públicos, entidades criadas para isso e provedores. Guarde o perfil e as mensagens de texto e pergunte à polícia como preservar o restante.

Celular desligado sobre uma mesa escura, na penumbra
Cortar o contato não é apagar: salve primeiro o perfil e a conversa.Foto: Hasan Albari / Pexels

Como denunciar sextorsão: plataforma, polícia e canais oficiais

Denuncie a sextorsão em pelo menos dois lugares: na plataforma onde tudo aconteceu e na polícia. A plataforma pode remover o perfil e o conteúdo íntimo, e a sua denúncia pode proteger a próxima pessoa que o golpista escolher. O CERT.br lembra que, quanto mais denúncias, maior a chance de o perfil sair do ar.

No Instagram, no WhatsApp, no TikTok ou em apps de namoro como Tinder e Bumble, procure a opção de denunciar no próprio perfil, na publicação ou na conversa. Depois de denunciar, bloqueie. Se o golpista aparecer com outro perfil, repita o processo e acrescente o novo link às suas provas. Os caminhos de denúncia em cada app estão no guia como denunciar perfil falso.

Para a polícia e outros órgãos, a Secretaria de Comunicação Social do governo federal reúne os canais oficiais:

  • Polícia Civil: registre o B.O. na delegacia mais próxima. Vários estados aceitam o registro online, como a Delegacia Digital em São Paulo e a Delegacia Online no Rio de Janeiro.
  • 190: a Polícia Militar, se alguém estiver em perigo imediato.
  • Disque 100: da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, para violações contra crianças e adolescentes, também pelo WhatsApp (61) 99611-0100.
  • Ligue 180: a Central de Atendimento à Mulher.
  • Comunica PF: canal da Polícia Federal para crimes cibernéticos ligados a abuso sexual infantil com repercussão internacional.

Quando o material não é público, como num e-mail ou numa conversa privada, a SaferNet orienta a preservar todas as provas e registrar a ocorrência na Polícia Civil. Onde existir, você também pode procurar uma Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos. Conteúdo público com imagens de crianças ou adolescentes pode ser denunciado de forma anônima na Central de Denúncias da SaferNet.

Por vergonha, muita gente prefere pagar a contar o que aconteceu para alguém. Na nossa avaliação, registrar o B.O. é também um jeito de retomar o controle. Segundo o CERT.br, na maioria dos casos ele pode ser feito online, e o registro ajuda você a se proteger, principalmente se houve prejuízo financeiro.

Como tirar as imagens do ar: Marco Civil, StopNCII e Take It Down

São três caminhos diferentes. O primeiro é a lei, que obriga as plataformas a agir depois de um aviso seu. Os outros dois são ferramentas gratuitas que criam uma impressão digital da imagem no seu próprio aparelho.

Marco Civil da Internet: o art. 21 da Lei nº 12.965/2014 trata de nudez ou atos sexuais de caráter privado divulgados sem autorização. A plataforma que exibe esse conteúdo de terceiros responde de forma subsidiária se, depois de notificada por quem aparece nas imagens, não o tornar indisponível de forma diligente. A notificação precisa identificar o material e mostrar que você tem legitimidade para pedir. A SaferNet cita esse artigo e lembra que a vítima pode pedir a remoção diretamente à plataforma.

StopNCII.org: é para adultos. Você precisa ser a pessoa que aparece na imagem, ter 18 anos ou mais hoje e também quando ela foi feita, e ainda ter o arquivo. A ferramenta, operada pela Revenge Porn Helpline, gera no seu aparelho um hash, uma espécie de impressão digital. Só esse código vai para as empresas participantes, que procuram cópias iguais e as removem. Segundo as perguntas frequentes do StopNCII, dá para usar a ferramenta em casos de sextorsão e chantagem pela webcam, e ela aceita também deepfakes de você.

Take It Down: é o serviço do NCMEC, o centro americano para crianças desaparecidas e exploradas, para imagens de quando você tinha menos de 18 anos, mesmo que hoje seja adulto. É gratuito, você pode usá-lo sem se identificar e a imagem não sai do seu aparelho, nem é enviada a ninguém. O site, em takeitdown.ncmec.org, tem versão em português.

Conheça os limites. As duas ferramentas só funcionam nas plataformas participantes que são públicas ou não criptografadas, e não na internet inteira. Na maioria dos apps de mensagem, a criptografia impede o uso desses hashes. Se a imagem for cortada, receber filtros ou virar um trecho de vídeo, o hash original pode não reconhecê-la, avisa o StopNCII. Se o conteúdo aparecer num site, denuncie também diretamente ali.

Celular envolto numa corrente de metal com cadeado de segredo sobre uma mesa de madeira
StopNCII e Take It Down compartilham só uma impressão digital da imagem, nunca a própria imagem.Foto: Towfiqu barbhuiya / Pexels

Se você é adolescente, mãe, pai ou responsável

Se você tem menos de 18 anos: a culpa não é sua, e quem ameaça é quem está cometendo o crime. A Polícia Civil de São Paulo descreve exatamente esse roteiro, em que adolescentes acham que conversam com alguém da mesma idade. Não pague e não mande mais nada. Denuncie o perfil no app, bloqueie a pessoa e mantenha as mensagens em vez de apagá-las. Não encaminhe as imagens para ninguém, nem para amigos que querem ajudar.

Depois, peça ajuda a um adulto de confiança. Se não houver ninguém com quem você consiga falar agora, o Canal de Ajuda da SaferNet atende crianças e adolescentes de graça, por chat ou e-mail, de forma anônima e sigilosa, inclusive em casos de sextorsão. O chat funciona em horários fixos nos dias úteis. Fora deles, dá para escrever pelo formulário de e-mail, e a resposta vem depois. Se você precisa conversar com alguém agora, o CVV atende de graça pelo 188, 24 horas por dia.

O Disque 100 recebe denúncias de violações contra crianças e adolescentes. O Take It Down ajuda a manter as imagens longe das plataformas participantes, sem que você precise mandá-las a alguém.

Para mães, pais e responsáveis, a mensagem mais importante é a mesma que a SaferNet dá às vítimas: a culpa é de quem expôs, não do seu filho ou da sua filha. Na nossa avaliação, o que mais ajuda é manter a calma e garantir que ele ou ela ouça isso primeiro de você. Bronca ou tirar o celular pode fazer um adolescente esconder o próximo problema.

Não salve nem encaminhe as imagens você mesmo, porque o ECA pune quem armazena esse material. Registre o B.O. na Polícia Civil e use o Disque 100. Segundo a Secom, o Conselho Tutelar da sua cidade também pode atender a vítima ou a família e encaminhar a denúncia às autoridades. O Canal de Ajuda da SaferNet orienta pais e professores sobre como agir.

E-mail de sextorsão: como reconhecer o blefe

Um e-mail de sextorsão típico diz que alguém invadiu seu computador e gravou você pela webcam enquanto visitava sites adultos. Se você não pagar em bitcoin, diz o e-mail, o vídeo vai para amigos, família e colegas em poucas horas. O CERT.br explica que golpistas mandam a mesma mensagem para muitas pessoas, esperando que alguém morda a isca.

O que torna esses e-mails convincentes é um detalhe verdadeiro, muitas vezes uma senha que você já usou. Segundo o CERT.br, golpistas usam informações vazadas e públicas para fazer o golpe parecer verdadeiro. Uma senha antiga que apareceu num vazamento de dados não prova que alguém acessou sua câmera.

Sinais típicos de um e-mail de sextorsão em massa:

  • Cita uma senha que você usou em algum momento, muitas vezes antiga.
  • Exige bitcoin ou outra criptomoeda num prazo curto, de horas ou poucos dias.
  • Pede segredo e diz para você não procurar a polícia nem contar a ninguém.
  • Usa um tom de ameaça e constrangimento para você agir sem pensar.

Ameaça, pressa, constrangimento e pedido de segredo são justamente os sinais que o CERT.br manda observar antes de agir. Não responda e não pague. Troque a senha citada em todas as contas onde ela ainda é usada e ative a verificação em duas etapas, como recomenda o CERT.br. Se o e-mail traz links para uma página de pagamento, veja antes como saber se um site é confiável.

Se você já pagou por Pix, avise o seu banco pelo app ou pelos canais oficiais o quanto antes. O CERT.br aponta o Mecanismo Especial de Devolução (MED) como o caminho mais rápido para tentar recuperar o valor, sem garantia de devolução. Guarde o e-mail como prova e registre o B.O. Se não pagou nada, pode apagar a mensagem depois de trocar as senhas.

Sextorsão é crime? O que diz a lei brasileira

Sim. Dependendo do caso, a sextorsão pode se encaixar em vários crimes do Código Penal. Quem ameaça para conseguir dinheiro pode responder por extorsão (art. 158), com pena de reclusão de quatro a dez anos e multa. Gravar sem autorização uma cena de nudez ou de ato sexual íntimo é crime pelo art. 216-B. O mesmo artigo pune quem faz uma montagem para incluir alguém numa cena de nudez, o que alcança os nudes falsos.

Divulgar fotos ou vídeos com cena de sexo ou nudez sem o consentimento da vítima é crime pelo art. 218-C, com reclusão de 4 a 10 anos e multa. A pena aumenta de um terço a dois terços se o autor tem ou teve relação íntima com a vítima ou age por vingança ou humilhação. Contra mulheres, a chantagem também pode configurar violência psicológica (art. 147-B). A Lei nº 15.123/2025 aumentou a pena desse crime pela metade quando há uso de inteligência artificial para alterar imagem ou som da vítima.

Quando a vítima é criança ou adolescente, o ECA prevê crimes próprios. Desde a Lei nº 15.487/2026, o art. 241-E inclui expressamente o material produzido, manipulado ou gerado com inteligência artificial. O art. 241-D pune quem alicia, assedia ou constrange menores de 14 anos por qualquer meio com fim libidinoso.

Que crime se aplica num caso concreto é decisão da polícia, do Ministério Público e do juiz, não deste guia. Para dúvidas sobre a sua situação, como pedir indenização, a SaferNet sugere procurar um advogado ou a Defensoria Pública. Nada disso é aconselhamento jurídico. O primeiro passo continua sendo o B.O., porque ele cria um registro oficial do que aconteceu.

Onde buscar apoio: você não precisa passar por isso sozinho

A sextorsão pode trazer medo, vergonha e pânico. É uma reação normal a uma ameaça, não um sinal de fraqueza. A responsabilidade é de quem chantageia, não sua, mesmo que você tenha confiado em alguém e mandado imagens. Converse com uma pessoa de confiança ou com um dos serviços abaixo.

Se você está em crise ou pensando em se machucar, ligue 188 para o CVV, o Centro de Valorização da Vida. O atendimento é gratuito, funciona 24 horas por dia e também está disponível por chat e e-mail. Se você ou outra pessoa estiver em perigo imediato, ligue 190. Mulheres podem procurar também o Ligue 180. Existe uma saída, e você não precisa encontrá-la sozinho.

Cuidado com empresas que cobram para “apagar” vídeos da internet ou “rastrear” o golpista. Não faz sentido pagar desconhecidos que prometem resolver o problema, ainda mais numa situação de pressão como essa. A polícia, o Canal de Ajuda da SaferNet, o StopNCII e o Take It Down ajudam sem cobrar nada.

Como se proteger da sextorsão daqui para frente

A Polícia Civil de São Paulo dá conselhos diretos para evitar o golpe: desconfie de pedidos de amizade de desconhecidos e evite videochamadas com quem você não conhece. Lembre também que a imagem da pessoa que você está vendo pode ser falsa. Desconfie em especial de quem pressiona cedo por conteúdo íntimo. Outros hábitos que a polícia e o CERT.br recomendam:

  • Evite compartilhar fotos e vídeos íntimos e evite guardá-los no celular, porque um aparelho roubado expõe esse conteúdo.
  • Pense antes de postar: quanto mais você se expõe, mais convincente o golpista fica.
  • Não aceite qualquer contato nas suas redes e desconfie de perfis falsos.
  • Use senhas diferentes e ative a verificação em duas etapas.
  • Mantenha um antivírus no celular e no computador.

Confira novos contatos antes de confiar. Uma busca reversa com a foto do perfil mostra se a imagem aparece em outro lugar com outro nome. Os passos estão no guia de busca reversa de imagem. Uma videochamada sozinha prova menos do que antes, porque a IA já imita rostos e vozes. Os outros sinais de alerta em apps de namoro estão no nosso guia sobre golpe no Tinder, e o golpe do amor mostra como a mesma confiança é usada para pedir dinheiro.

Perguntas frequentes sobre sextorsão

O que é sextorsão?

Sextorsão é a chantagem com imagens ou vídeos íntimos. O criminoso ameaça publicar o conteúdo ou enviá-lo para amigos e família se você não pagar ou não mandar mais imagens. Muitas vezes começa com um flerte nas redes sociais ou num app de namoro e uma videochamada gravada escondido. Outra forma são e-mails em massa que só dizem ter um vídeo.

Devo pagar o golpista?

Não. O CERT.br orienta a cortar o contato quando o golpista pede mais dinheiro ou faz ameaças, sem enviar mais dinheiro nem tentar negociar. Também não mande mais imagens. Guarde as provas, bloqueie o perfil sem apagar a conversa, denuncie na plataforma e registre o B.O. na Polícia Civil. Se já pagou por Pix, avise seu banco o quanto antes.

Como denunciar sextorsão?

Denuncie o perfil na plataforma onde tudo aconteceu, pela opção de denúncia no perfil, na publicação ou na conversa. Depois, registre o B.O. na Polícia Civil, presencialmente ou pela delegacia online do seu estado, se houver. Se a vítima for criança ou adolescente, use também o Disque 100 ou o Conselho Tutelar. Em perigo imediato, ligue 190.

Sextorsão é crime?

Sim. Dependendo do caso, pode ser extorsão (art. 158 do Código Penal), registro não autorizado da intimidade sexual (art. 216-B) ou divulgação de cena de sexo ou nudez sem consentimento (art. 218-C). Contra mulheres, pode configurar violência psicológica (art. 147-B). Com vítimas menores de 18 anos, o ECA prevê crimes próprios. Quem decide o enquadramento no caso concreto são o Ministério Público e o juiz.

E-mail de sextorsão com minha senha é verdadeiro?

Quase sempre é um blefe. Segundo o CERT.br, golpistas mandam a mesma mensagem para muitas pessoas e usam dados vazados para parecer convincentes. A senha citada costuma vir de um vazamento antigo e não prova que alguém acessou sua webcam. Não responda nem pague, troque essa senha em todas as contas onde ainda a usa e ative a verificação em duas etapas.

Dá para tirar meus nudes da internet?

Muitas vezes, pelo menos nas grandes plataformas. Denuncie a imagem na própria plataforma primeiro: pelo art. 21 do Marco Civil da Internet, ela responde se não remover o material depois de notificada por você. O StopNCII (imagens feitas com 18 anos ou mais) e o Take It Down (imagens de antes dos 18) ajudam plataformas participantes a bloquear cópias. Nenhum dos dois funciona em apps de mensagem criptografados.

O que fazer se meu filho ou filha sofre sextorsão?

Mantenha a calma e deixe claro que a culpa não é dele ou dela. Não pague e não salve nem encaminhe as imagens você mesmo, porque o ECA pune quem armazena esse material. Ajude a denunciar o perfil no app e a bloqueá-lo sem apagar as mensagens. Registre o B.O. na Polícia Civil e use o Disque 100 ou o Conselho Tutelar. O Canal de Ajuda da SaferNet também orienta famílias.

Conclusão: a sextorsão perde força quando você pede ajuda

A sextorsão funciona quando a vítima entra em pânico, paga e fica em silêncio. Não pague, não mande mais nada, salve o perfil e a conversa e só então corte o contato. Denuncie o perfil na plataforma, registre o B.O. na Polícia Civil e use o StopNCII ou o Take It Down para manter as imagens longe das plataformas participantes.

Num e-mail de sextorsão com uma senha antiga, troque essa senha, ative a verificação em duas etapas e não responda. Seja qual for a forma, a culpa é de quem chantageia. Procure alguém de confiança ou um dos serviços gratuitos deste guia: você não precisa enfrentar isso sozinho.

Sobre o autor

Cofundador e responsável pelo marketing da TrustCamera

Yannick é cofundador da TrustCamera, onde lidera o marketing e o conteúdo. Tem graduação e mestrado na área de negócios e trabalha há anos com marketing de conteúdo e SEO.

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