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Namoro e perfis

Golpe do amor: como identificar e o que fazer se você pagou

Golpe do amor: os sinais de alerta, como funciona a versão com investimento e o que fazer se você já pagou, do MED no Pix ao boletim de ocorrência.

Por Publicado em 19 min de leituraLer em inglês
Imagem de capa: golpe do amor, com os sinais de alerta e o que fazer se você já pagou

O golpe do amor quase sempre segue o mesmo roteiro. Alguém que você conheceu na internet se apaixona depressa, sempre tem um motivo para não se encontrar e, cedo ou tarde, precisa de dinheiro para uma emergência, uma encomenda presa na alfândega ou um suposto investimento. A regra mais segura é simples: não mande dinheiro para quem você nunca encontrou pessoalmente. Se já pagou, corte o contato, acione o seu banco na hora, guarde as conversas e registre um boletim de ocorrência.

Esses golpes funcionam com roteiro e paciência. Cair em um deles não faz de você uma pessoa ingênua: alguém se esforçou de verdade para enganar você, e a vergonha é exatamente o que mantém muitas vítimas em silêncio. Na TrustCamera, desenvolvemos um app de câmera para fotos que qualquer pessoa pode conferir, por isso pensamos muito em fotos de perfil falsas. A seguir está o que orientam a Receita Federal, a polícia, a CVM e as plataformas, e onde buscar ajuda.

Golpe do amor: os sinais de alerta em resumo

O golpe do amor é um estelionato disfarçado de namoro. Os sinais mais claros são alguém que fala de amor muito cedo, nunca pode se encontrar e logo pede dinheiro, por Pix, transferência ou criptomoedas. Segundo a Receita Federal, os golpistas se passam por estrangeiros em boas condições financeiras e com empregos prestigiados.

Estes sinais se repetem de um caso para outro:

  • Amor em alta velocidade: em poucos dias, a pessoa fala em alma gêmea, casamento ou mudança para o Brasil, sem vocês nunca terem se visto.
  • Sempre longe: uma missão militar no exterior, um trabalho em outro país ou uma doença grave explica por que todo encontro cai.
  • Fora do app, rápido: a conversa migra logo para o WhatsApp, e a pessoa pergunta cada vez mais sobre a sua situação financeira.
  • Nada de vídeo: a câmera está sempre quebrada ou a internet, ruim.
  • Uma emergência que só dinheiro resolve: tratamento médico, passagem ou uma taxa para liberar um presente “retido” na Receita Federal.
  • Dicas de investimento de quem diz amar você: do nada, surge uma plataforma de criptomoedas que rende muito.

Um sinal sozinho não prova golpe. Quando vários aparecem juntos e o assunto vira dinheiro, pare e confira. A delegada-adjunta da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Ceará resume bem: desconfie de quem acelera a intimidade e de perfis aparentemente perfeitos, e não transfira dinheiro nem criptomoedas sob qualquer pretexto. Para checar um perfil antes mesmo de começar a conversar, veja o nosso guia como identificar perfil falso em apps de namoro.

Como funciona o golpe do amor, do primeiro contato ao pedido de dinheiro

Cada golpista adapta a história, mas a maioria segue um roteiro parecido. A Receita Federal descreve as etapas em detalhe na sua página de alerta, e elas cabem em três fases.

Fase 1: o primeiro contato e uma identidade emprestada

Os golpistas criam perfis falsos em apps de namoro como Tinder, Bumble, Happn e Badoo ou puxam conversa pelo Instagram e pelo Facebook. As fotos costumam ser copiadas de contas reais, e algumas podem ter sido geradas por IA. A história é feita para ser admirável e inalcançável ao mesmo tempo. A Receita Federal cita um militar americano em missão num país árabe e um estrangeiro que quer se mudar para o Brasil.

Explicamos como conferir se uma imagem é verdadeira, com busca reversa e outros métodos, em como saber se uma foto é real. Mostramos como reconhecer perfis falsos nas redes sociais em como identificar um perfil fake no Instagram.

Fase 2: muita intimidade e nenhum encontro

Depois vem o relacionamento: mensagens de bom dia, áudios e horas de conversa à noite. No início, ninguém fala de dinheiro, e sim de trabalho, família, sentimentos e planos. Segundo a Receita Federal, o golpista evita falar do próprio passado para não cair em contradição e tenta extrair o máximo de informações da vítima. Logo vêm o pedido de noivado e a promessa de morar juntos.

Sair cedo do app também afasta você das proteções da plataforma. O Tinder explica que as conversas no app passam por filtros de mensagens seguras. Por isso, segundo o próprio app, usuários mal-intencionados tentam migrar logo para mensagens de texto, outros apps de mensagem, e-mail ou telefone.

Fase 3: a emergência e o pedido de dinheiro

Aí algo dá errado. Numa versão descrita pela Receita Federal, o golpista diz ter mandado uma caixa com joias, dinheiro vivo ou um anel de noivado, que teria ficado retida na alfândega ou na transportadora. Para liberar, você precisaria pagar uma taxa. Outras versões falam de doença grave, com fotos falsas de alguém sendo medicado, ou do próprio golpista “preso na Receita Federal”. A quadrilha chega a criar sites falsos de transportadoras, com número de rastreamento falso.

A Receita Federal deixa claro que nunca liga nem manda mensagens cobrando para liberar encomendas. O órgão também não recebe pagamento de encomendas internacionais por transferência, depósito, QR Code ou cartão. O golpista pede transferências para contas em nome dele ou de terceiros e, depois do pagamento, bloqueia o contato ou some. Outros truques comuns nos apps de namoro estão reunidos no nosso guia sobre golpe no Tinder.

Tenha cuidado redobrado se o seu match pedir que você receba dinheiro na sua conta e repasse para outra pessoa. Na prática, isso transforma a sua conta numa conta laranja, e emprestar a própria conta para dinheiro de crime está previsto no Código Penal, como mostramos mais abaixo. Não aceite, nem como favor único, e avise o seu banco se isso já aconteceu.

Golpe do amor com investimento: quando o romance vira dica de cripto

Outra variante mistura romance e fraude de investimento. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) alerta que organizações criminosas transnacionais podem atrair investidores desavisados para golpes conhecidos como “pig butchering” ou golpes de relacionamento para investimento. Em vez de uma emergência só, a vítima é convencida a aplicar quantias cada vez maiores. Tudo começa como amizade ou flerte, e as dicas aparecem como quem não quer nada, quando a confiança já existe.

As plataformas costumam parecer profissionais e mostram lucros na tela. O momento do saque costuma ser o mais perigoso: surgem “impostos”, “taxas” ou “custos de liberação”, e cada novo pagamento promete destravar o anterior. A CVM lembra que a promessa de alto retorno garantido com pouco ou nenhum risco é um sinal de alerta. Ela também recomenda verificar se a plataforma de criptoativos está registrada ou autorizada a operar.

O Tinder vai na mesma linha. Nas suas dicas de segurança, o app pede que você não faça investimentos nem abra contas em serviços ou sites indicados por um match. Uma regra vale para todas as versões: quem corteja você e depois pressiona para investir não é consultor financeiro, por mais real que pareça o sentimento. Antes de mover qualquer valor, confira a plataforma por conta própria com as checagens de como saber se um site é confiável e converse com alguém de confiança.

Mão segura um celular com um gráfico de ações em alta diante de uma parede clara
Plataformas falsas de investimento parecem tão profissionais quanto um app de corretora. Os lucros só existem na tela.Foto: Joshua Mayo / Pexels

O golpe do amor é comum? O que mostram os números no Brasil

Golpes em geral são muito comuns no Brasil. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 2.261.055 estelionatos em 2025, cerca de 258 golpes por hora. O estelionato se consolidou como o principal crime contra o patrimônio. O número reúne todo tipo de golpe, do Pix ao falso namorado, e não mostra quantos casos começaram num relacionamento online.

Essa estatística também só conta quem percebeu o golpe e registrou boletim de ocorrência. Na nossa avaliação, o número real de vítimas do golpe do amor é maior, porque vergonha e apego seguram muita gente em silêncio. Há outros indícios de que o problema não é raro. A Receita Federal mantém uma página só sobre esse golpe, e a CVM inclui os golpes de relacionamento entre as fraudes que todo investidor deveria conhecer.

Por que pessoas inteligentes continuam pagando, e por que a culpa não é sua

Visto de fora, parece incompreensível que alguém continue mandando dinheiro. Só que, quando chega o primeiro pedido, o relacionamento já parece real e a confiança é grande. Cada novo pedido vem com uma história nova e urgente, e dizer não parece abandonar alguém que você ama.

Dois mecanismos costumam manter as pessoas pagando. O primeiro é o custo já investido: depois de colocar tanto dinheiro e tanta emoção, admitir que tudo era falso parece insuportável. Cada novo pagamento promete que os anteriores ainda vão valer a pena. A vergonha é o segundo. Golpistas contam com o silêncio da vítima, que tem medo de ser julgada, e muitos pedem segredo sobre o relacionamento justamente para isolar a pessoa.

Nada disso é defeito de caráter. Alguém seguiu um roteiro ensaiado para enganar você, com fotos, histórias e até sites falsos preparados de antemão. Quanto antes você conversar com alguém de confiança, mais cedo o prejuízo para.

Como saber se a pessoa do outro lado é real

Não dá para verificar amor, mas dá para procurar contradições numa identidade. Os passos abaixo partem das orientações da Receita Federal, da Polícia Civil do Ceará e do Tinder, com a nossa visão sobre fotos e vídeos:

  1. Pesquise a história: busque o nome completo entre aspas e a profissão que a pessoa diz ter, junto com a palavra “golpe”.
  2. Faça uma busca reversa das fotos: salve a foto do perfil e pesquise por imagem. Se ela aparece com outros nomes, provavelmente foi roubada. Veja como fazer uma busca reversa de imagem.
  3. Pense em fotos geradas por IA: quando a busca não encontra nada, a imagem pode ter sido criada por inteligência artificial.
  4. Peça uma videochamada: o Tinder recomenda desconfiar de quem se recusa a se encontrar ou a falar por telefone ou vídeo.
  5. Peça o rastreamento: se a pessoa diz ter mandado um presente, a Receita Federal orienta a pedir o código de rastreamento e, na dúvida, procurar o Fale Conosco de compras internacionais.
  6. Converse com alguém de confiança: pergunte a amigos ou à família o que acham do novo relacionamento.

Fotos e vídeos têm um porém. Pedir uma foto com um papel escrito com o seu nome e a data do dia já foi um bom teste. Hoje, os geradores de imagem escrevem texto legível, então isso não prova mais nada. Até um vídeo ao vivo pode ser falsificado, porque algumas ferramentas trocam rostos em tempo real.

A videochamada continua valendo a pena, só não como palavra final, então combine com as outras checagens. E o teste mais importante é o mais simples: se alguém que você nunca viu pessoalmente pede dinheiro, trate como golpe.

Uma foto atual com código de verificação: o que ela mostra e o que não mostra

O problema central do namoro online é que qualquer foto de perfil pode ter vindo de qualquer lugar. Na TrustCamera, trabalhamos numa abordagem que começa exatamente aí. Fotos e vídeos são feitos direto no app, e não é possível enviar arquivos da galeria. Assim, uma foto roubada da internet não ganha um código de verificação só porque alguém a enviou.

Na prática, você pediria ao seu match que tirasse uma foto nova no app da TrustCamera e mandasse o código de verificação logo em seguida. Depois, você confere o código de graça no navegador, sem precisar de conta. O resultado mostra que o arquivo não foi alterado desde a captura, além do horário e da localização aproximada, com precisão de cerca de 10 km e nunca a posição exata. Se a localização aproximada não combina em nada com o lugar onde a pessoa diz estar, essa contradição merece atenção.

Os limites importam tanto quanto o que o código mostra. Uma localização que bate não prova nada. O código não mostra quem está na foto nem que essa pessoa administra o perfil. Ele também não diz se a cena foi montada, então a videochamada e as outras checagens continuam importantes. Se alguém não pode ou não quer mandar um código, isso sozinho não é sinal de golpe, até porque o app para Android e iOS ainda chega em breve. Veja também como a TrustCamera funciona.

Pense também na sua privacidade. Se você mandar um código para um desconhecido, ele vai saber mais ou menos onde você tirou a foto. Considere isso antes de compartilhar. E nenhuma foto substitui a regra básica: nada de dinheiro para quem você nunca encontrou.

Caí no golpe do amor: o que fazer se você já pagou

Se você já mandou dinheiro, aja rápido. A cartilha “Golpes: Caiu? Veja o que fazer”, do CERT.br, lembra que agir rápido ajuda a reduzir prejuízos e a evitar que os golpistas façam mais vítimas. Siga estes passos:

  1. Pare de pagar: não mande mais dinheiro nem repasse valores, por mais urgente que pareça a próxima mensagem.
  2. Fale com o banco agora: se pagou por Pix, conteste a transação no app ou nos canais oficiais do banco para acionar o MED (Mecanismo Especial de Devolução). Se usou cartão, pergunte ao emissor se dá para contestar.
  3. Guarde as provas: prints das conversas, nomes de perfil, números de telefone, links e comprovantes de transferência.
  4. Denuncie o perfil: no app de namoro ou na rede social onde vocês se conheceram. O passo a passo está em como denunciar perfil falso.
  5. Registre um boletim de ocorrência: na Polícia Civil, com todas as provas anexadas.
  6. Corte o contato: bloqueie a pessoa depois de salvar tudo.

Segundo a Agência Brasil, a vítima tem até 80 dias a partir da transferência para pedir o MED, e os bancos têm até sete dias para analisar o caso. Desde fevereiro de 2026, o MED 2.0 consegue seguir o dinheiro por outras contas. A devolução, porém, não é garantida e depende de ainda haver saldo. Por isso, procure o banco no mesmo dia. O MED vale para o Pix: na nossa avaliação, criptomoedas já enviadas ao golpista são bem mais difíceis de recuperar.

Se o banco não resolver, dá para registrar reclamação no Banco Central pelo telefone 145, em dias úteis, das 8h às 18h. Segundo o Senado Verifica, o BC não resolve casos individuais, mas usa a reclamação para fiscalizar o banco. O CERT.br também cita o Procon do seu estado e um advogado como caminhos.

O B.O. é registrado na Polícia Civil, e segundo o CERT.br, na maioria dos casos dá para fazer online. Vários estados têm delegacia na internet, como a Delegacia Digital em São Paulo e a Delegacia Online no Rio de Janeiro. Se o registro online não estiver disponível para o seu caso no seu estado, vá à delegacia mais próxima.

Explicamos o que torna um print convincente em foto como prova. Se alguém ameaça divulgar imagens íntimas suas, não pague e veja o que fazer em caso de sextorsão. Mulheres também podem ligar para o 180, a Central de Atendimento à Mulher.

Golpe do amor é crime? O que diz o Código Penal

Na maioria dos casos, sim. A expressão “estelionato sentimental” aparece em decisões da Justiça, mas não é um crime próprio no Código Penal. O golpe do amor costuma se enquadrar no estelionato do art. 171 do Código Penal: obter vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro por meio de artifício, ardil ou outro meio fraudulento. A pena é de reclusão de 1 a 5 anos, e multa.

O artigo prevê penas maiores em vários casos. A fraude eletrônica do § 2º-A, com reclusão de 4 a 8 anos, vale quando o golpista usa informações que a vítima forneceu depois de ser enganada por redes sociais, contatos telefônicos ou aplicações de internet. Contra idoso ou vulnerável, a pena aumenta de um terço ao dobro (§ 4º). Quem oferece carteiras ou operações com ativos virtuais para enganar investidores pode responder pelo art. 171-A, também com 4 a 8 anos.

A conta laranja tem um inciso próprio. Desde a Lei nº 15.397/2026, ceder a conta bancária para que nela passe dinheiro de crime está no art. 171, § 2º, VII, com as mesmas penas do estelionato. Se um caso concreto é crime, quem decide são a polícia, o Ministério Público e a Justiça. Para dúvidas jurídicas, como pedir o dinheiro de volta na Justiça, procure a Defensoria Pública ou um advogado.

Golpe da recuperação: cuidado com quem promete devolver seu dinheiro

Depois de um golpe, pode vir outro. O CERT.br alerta que manter contato com o golpista pode abrir espaço para novas tentativas de golpe. Fique atento também a outra armadilha: quem já perdeu dinheiro pode virar alvo de gente que se apresenta como advogado, órgão público ou empresa especializada e promete recuperar tudo mediante uma taxa antecipada. É a mesma lógica das taxas de saque nas plataformas falsas: mais um pagamento para destravar um dinheiro que não vai voltar.

Desconfie de qualquer contato inesperado com essa promessa. O Procon-SP, por exemplo, avisa que os seus serviços são gratuitos e pede que o consumidor desconfie de mensagens em seu nome que prometem indenizações ou pedem dados bancários. Como o Banco Central não resolve casos individuais, desconfie também de quem diga falar em nome do BC para devolver o seu dinheiro.

Não pague nada adiantado e não passe dados bancários nem o seu CPF. Se quiser ajuda, procure você mesmo o banco, o Procon, a Defensoria Pública ou um advogado de sua escolha.

Como conversar com um familiar que caiu no golpe do amor

Talvez não seja você, e sim sua mãe, um amigo ou um vizinho que vive um relacionamento que preocupa. Uma conversa calma costuma funcionar melhor do que um confronto. Quem está apaixonado tende a defender o relacionamento, principalmente contra acusações. Estes passos podem ajudar:

  • Escute antes de julgar: pergunte como os dois se conheceram e como a pessoa é, e evite frases como “Como você caiu nessa?”.
  • Confira junto com ela: proponha fazer a busca reversa das fotos lado a lado. Encontrar as imagens com outro nome costuma convencer mais do que qualquer argumento.
  • Seja claro sobre dinheiro: peça que ela suspenda qualquer pagamento até vocês checarem a história juntos.
  • Ofereça ajuda sem forçar: proponha ir junto ao banco ou à delegacia.

Se a pessoa tem 60 anos ou mais, o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, também recebe denúncias de violência financeira contra pessoas idosas. Segundo o ministério, qualquer pessoa pode denunciar, sem precisar de provas concretas, e o atendimento é gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, todos os dias. Dá para ligar 100 ou escrever pelo WhatsApp (61) 99611-0100. Por segurança, digite você mesmo o número em vez de usar um contato recebido por mensagem.

Duas xícaras de café com desenho no leite sobre uma mesa escura de café, fotografadas de cima
Uma conversa calma e sem acusações costuma ajudar mais do que qualquer aviso.Foto: Zulfugar Karimov / Pexels

Perguntas frequentes sobre o golpe do amor

O que é o golpe do amor?

É um estelionato disfarçado de relacionamento. O golpista cria um perfil falso em apps de namoro ou redes sociais, conquista a confiança da vítima ao longo de semanas e depois pede dinheiro para uma emergência, uma encomenda “retida” na alfândega ou um investimento. Na maioria dos casos, a vítima nunca encontrou a pessoa. Também se fala em golpe do falso namorado ou estelionato sentimental.

O golpe do amor é crime?

Na maioria dos casos, sim. Em geral, ele se enquadra no estelionato do art. 171 do Código Penal, com pena de 1 a 5 anos de reclusão e multa. Se o golpista usa informações que a vítima passou depois de ser enganada por redes sociais ou aplicativos, a fraude eletrônica prevê de 4 a 8 anos, e a pena aumenta quando a vítima é idosa ou vulnerável. Se um caso concreto é crime, decidem a polícia, o Ministério Público e a Justiça.

Como denunciar o golpe do amor?

Registre um boletim de ocorrência na Polícia Civil do seu estado, em muitos estados pela internet. Leve prints das conversas, nomes de perfil, números de telefone e comprovantes de cada pagamento. Denuncie também o perfil no app de namoro ou na rede social onde vocês se conheceram, para que ele não engane outras pessoas. Se pagou por Pix, avise o seu banco antes de tudo.

Dá para recuperar o dinheiro do golpe do amor?

Às vezes. Se pagou por Pix, peça o MED ao seu banco o quanto antes. A vítima tem até 80 dias, mas a devolução depende de ainda haver saldo nas contas do golpista. Com cartão, pergunte ao emissor se dá para contestar. Criptomoedas são muito mais difíceis de reaver. E não pague ninguém que prometa recuperar o dinheiro mediante taxa: isso é outro golpe.

Golpistas fazem videochamada?

Alguns fazem. Ferramentas que trocam rostos em tempo real permitem simular uma videochamada, então ela sozinha já não é prova segura. Mesmo assim, quem sempre tem uma desculpa para não aparecer em vídeo está dando um sinal de alerta. Trate a chamada como uma checagem entre várias, ao lado da busca reversa das fotos, da pesquisa da história e da regra de nunca mandar dinheiro para quem você não conhece pessoalmente.

Quanto tempo dura o golpe do amor?

Varia. Em geral, leva semanas ou meses, porque o golpista primeiro constrói a relação e só depois fala de dinheiro. Na versão com investimento, as primeiras dicas também aparecem só quando a confiança já existe. Depois do primeiro pagamento, novos pedidos costumam vir, cada um com um motivo diferente. Por isso faz tanta diferença parar de pagar cedo.

Onde as vítimas do golpe do amor encontram ajuda?

Comece pelo seu banco e pelo boletim de ocorrência. Se a vítima tem 60 anos ou mais, o Disque 100 recebe denúncias de violência financeira contra pessoas idosas, de graça e com sigilo. Se a situação ficar pesada demais ou surgirem pensamentos de suicídio, o CVV atende de graça pelo 188, 24 horas por dia, também por chat. Em caso de emergência, ligue 190.

Conclusão: o golpe do amor se reconhece pelo dinheiro, não pelos sentimentos

Os sentimentos num golpe do amor são feitos para parecer reais, e é isso que faz o golpe funcionar. Por isso, não confie só na intuição. Confie numa regra: nada de Pix, transferência ou criptomoedas para quem você nunca encontrou pessoalmente. Busca reversa, pesquisa da história e videochamada ajudam a achar contradições, mas não substituem essa regra.

Se já aconteceu, corte o contato, acione o banco, guarde as provas e registre o boletim de ocorrência. Ignore quem promete recuperar o dinheiro mediante taxa. E, acima de tudo, você não tem do que se envergonhar. Há ajuda no seu banco, na polícia e nas pessoas que gostam de você.

Sobre o autor

Cofundador e responsável pelo marketing da TrustCamera

Yannick é cofundador da TrustCamera, onde lidera o marketing e o conteúdo. Tem graduação e mestrado na área de negócios e trabalha há anos com marketing de conteúdo e SEO.

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